domingo, 1 de junho de 2014

''Find Your Love'' 3° Capítulo.

-Life is a party.


Eu havia acabado de sair da aula, sozinha, estava indo até a cantina encontrar Lauren e Becky. As duas estavam lá, sentadas conversando com o resto da turma. O professor pediu para falar comigo, e elas não quiseram esperar. Peguei apenas uma maça e um suco, afinal a comida daquela cantina não é das melhores, principalmente quando você demora para pegá-las. Me sentei e pude ouvir as garotas falando do mesmo assunto de antes, do mesmo assunto de ontem: a festa de sábado, da qual eu não havia ido, pois não havia sido convidada, afinal, era minha primeira semana ali, quem é que realmente nota minha presença? Quem me nota?

-Estou ansiosa pra Sábado! -Disse Becky.
-O que tem Sábado? -Questionei.
-Ué! A festa da Mandy, esqueceu?
-É tecnicamente impossível esquecer de algo que você se quer sabe sobre!  -Disse sorrindo.


-Mandy... A cheerleader... Não te avisaram? -Disse Lauren.
-Não.
-Bem, agora que sabe, passaremos em sua casa as 7pm! -Disse Becky.
-Eu não vou.
-Por que? -Disseram em coro.
-Não estou afim... -Menti.
-Fala sério, SeuApelido! Vai ser divertido! E... olha, se você não quiser ir por cause desse lance, de ninguém ter te avisado, pode parar de frescura! A própria Mandy pediu pra chamar você... -Lauren se manifestou.
-Apenas esquecemos de te avisar! -Disse Becky.
-Não estou afim, é sério!
-Você vai. 
-Eu vou. -Disse encerrando o assunto.

[...]

Naquele sábado, por volta das 5pm, tomei um banho e aproveitei para lavar o cabelo. Estava frio la fora. Sequei o mesmo para não acabar pegando uma gripe, e em seguida, aproveitei para cacheá-lo com meu novo babyliss. Todas nós decidimos as roupas que usaríamos via Skype. Eu usava um vestido estampado branco com detalhes em preto, um salto alto preto -que peguei de Anne-, e minha marca registrada: minha jaqueta preta de couro.
Eu adorava usá-la, ela fica bem com tudo.
Eu estava bonita, e. melhor que isso, confortável. Nunca havia ido a uma festa assim, sem adultos, sem bolos e velas de aniversário. Meus amigos não davam festas. Eu não dava festas. Ninguém iria. Mas, Anne, ela dava festas, ela ia a festas, mas eu nunca a acompanhava. Quando eu estava pronta, por volta das 7pm, peguei minha bolsa -de Anne, na verdade-, e meu celular. Fiquei esperando na sala de estar. Me fitei, dos pés à cabeça. Senti uma tristeza inundar minha alma. Eu não tinha nada, apenas sentimentos acumulados dentro de mim me corroendo, eu precisava coloca-los para fora. Eu não gritei. Não chorei também, afinal levei dez longos minutos para aprontar a maquiagem dos olhos. Apenas desbloqueei meu celular e, após clicar nas notas, comecei a digitar...

''Estamos todos perdidos.
Procurando caminhos.
Procurando entender, a si mesmos.
Não tenho nada, além de palavras que, carrego no bloco de notas digital de meu celular.
Há uma praia.
Me afogo nela.
Não é feita de água.
São sentimentos.
Sou eu.''

Eu sequer pensei no que escrever, apenas digitei em metáforas bobas tudo o que sentia. Eu acabara de bloquear meu celular quando a campainha tocou. Eram elas. Lauren e Becky.
Assim que me despedi da sra. Collins e das crianças que também estavam na sala, abri a porta e sai de casa.

-Oi! -Eu disse.

-Animada?

-Talvez um pouco. -Respondi.

-Você vai gostar! -Disse Becky sorrindo.

-Pra que a identidade falsa? -Perguntei.

-SeuNome, esqueça isso. Não há nada de errado em si divertir um pouco. Relaxe. A vida é uma festa.

-Tudo bem... -Disse por fim.

Lauren era a mais velha de nós três, e por isso já dirigia. Assim que estacionou, confesso que fiquei um pouco surpresa ao ver o lugar em que a festa estava acontecendo. Não era na casa da garota, como imaginei. Era uma boate, aparentemente bem rica, aparentemente cheia. Ao ver aquelas pessoas, com roupas curtas e decotadas, me senti mal, e ao mesmo tempo agradecida, agradecida por ter juízo, por ter roupas mais compridas.

-Vai ser legal! -Disse Lauren pegando minha mão.

-É, vai sim! -Disse com uma ponta de esperança, de que ela estivesse realmente certa.

Havia um segurança, ele correu os olhos pelas nossas identidades, sequer viu a foto, sequer as observou. Não valeu o dinheiro que gastei.
Ao entrar naquele lugar, senti um forte cheiro de álcool, vi pessoas quase arrancando a roupa no meio da pista de dança, pessoas quase caindo ao andar. Isso ainda era o começo, a festa mal havia acabado de começar.
Fiquei com medo de ver o final. Hesitei dar outro passo. Eu quis ir embora.
Não fui.
Lauren e Becky pareciam conhecer todos, gostar de todos. Eu não. Escolhemos uma mesa, elas pediram bebidas, eu fui ao banheiro. Quase vomitei, de nojo, de nervoso. Mas não o fiz, apesar de sempre carregar uma escova de dente na bolsa. Lavei as mãos e retoquei meu batom, respirei fundo, voltei pra mesa. Apenas Becky estava lá.


-Cadê a Lauren?

-Encontrou um cara, sabe como é né... -Brincou Becky.

-É, sei...

-Eu não quero te deixar aqui sozinha, quer dançar?

-Eu vou ficar bem, não se preocupe.

-Tem certeza?

-Certeza. -Assenti.

E lá estava eu sozinha, pensando em nada, fitando nada, quando as duas voltaram para a mesa.

-Beba. -Disse Lauren.

-Não quero, obrigada.

-Não perguntei se quer, disse para beber.

-O que é?

-É uma batida, não é forte, juro.

-Tudo bem.

Peguei a bebida e tomei-a. Não era forte, era bem gostosa, para ser sincera. Logo me vi sozinha de novo, desta vez, sem bebida. Fui até o bar pegar outra, sequer voltei para a mesa, apenas fiquei sentada no balcão. Vi alguém se aproximar. Um garoto. Médio, pouco forte, sorriso bonito. Não vi seu rosto direito por causa da escuridão. Ele sorriu, pra mim.

-Quero o de sempre, por favor. -Disse ao garçom.

-Aqui está. -Disse o garçom entregando a bebida.

Eu fiquei olhando, me perguntando o que era aquilo. Ele percebeu. Sorriu. Veio falar comigo.

-Sem querer ser mal educado, mas o que tanto olha? -Disse sorrindo.

-Me desculpe.

-Que isso! -Ele respondeu.

-O que é o de sempre? -Perguntei curiosa.

-Experimente! -Disse me dando o copo.

-Só perguntei por curiosidade, mas mesmo assim obrigada! -Eu disse.

-É bem docinho, tem certeza que não quer?

-Mas é seu.

-Agora é seu. Vai, tome.

-Hum... É gostoso. -Disse após tomar a bebida.

-Eu te disse! -Sorriu.

-Obrigada.

-Não há de que.

Ele se sentou perto de mim, ficamos um tempo em silêncio. Ele o quebrou, ele parecia legal.

-Como você se chama?

-SeuNome, e você?

-Kyle.

-Hum...

-Você não parece se divertir, não é sua praia, né?

-Está muito na cara? -Perguntei preocupada.

-Um pouco. -Disse rindo.

-Droga. -Rolei os olhos.

-Quer dançar?

-Quero.

Kyle era legal, ele não me dava medo. Sabia que não o conhecia, e que não é aconselhável falar, dançar ou aceitar bebidas de um estranho.
Foda-se.
Peguei outra bebida. E outra. Mais uma.

[...]

Senti uma forte dor de cabeça. A luz do sol irritou meus olhos. Eu não estava em casa. Aquela era casa de Becky. As roupas que eu vestia não eram minhas. Meu estomago doía, minha cabeça doía.
O que aconteceu noite passada? Não lembrava mais de nada.

...
Continuarei semana que vem...

Xoxo,
Juulie.




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