-Life is a party.
Eu havia acabado de sair da aula, sozinha, estava indo até a cantina encontrar Lauren e Becky. As duas estavam lá, sentadas conversando com o resto da turma. O professor pediu para falar comigo, e elas não quiseram esperar. Peguei apenas uma maça e um suco, afinal a comida daquela cantina não é das melhores, principalmente quando você demora para pegá-las. Me sentei e pude ouvir as garotas falando do mesmo assunto de antes, do mesmo assunto de ontem: a festa de sábado, da qual eu não havia ido, pois não havia sido convidada, afinal, era minha primeira semana ali, quem é que realmente nota minha presença? Quem me nota?
-Estou ansiosa pra Sábado! -Disse Becky.
-O que tem Sábado? -Questionei.
-Ué! A festa da Mandy, esqueceu?
-É tecnicamente impossível esquecer de algo que você se quer sabe sobre! -Disse sorrindo.
-Mandy... A cheerleader... Não te avisaram? -Disse Lauren.
-Não.
-Bem, agora que sabe, passaremos em sua casa as 7pm! -Disse Becky.
-Eu não vou.
-Por que? -Disseram em coro.
-Não estou afim... -Menti.
-Fala sério, SeuApelido! Vai ser divertido! E... olha, se você não quiser ir por cause desse lance, de ninguém ter te avisado, pode parar de frescura! A própria Mandy pediu pra chamar você... -Lauren se manifestou.
-Apenas esquecemos de te avisar! -Disse Becky.
-Não estou afim, é sério!
-Você vai.
-Eu vou. -Disse encerrando o assunto.
[...]
Naquele sábado, por volta das 5pm, tomei um banho e aproveitei para lavar o cabelo. Estava frio la fora. Sequei o mesmo para não acabar pegando uma gripe, e em seguida, aproveitei para cacheá-lo com meu novo babyliss. Todas nós decidimos as roupas que usaríamos via Skype. Eu usava um vestido estampado branco com detalhes em preto, um salto alto preto -que peguei de Anne-, e minha marca registrada: minha jaqueta preta de couro.
Eu adorava usá-la, ela fica bem com tudo.
Eu estava bonita, e. melhor que isso, confortável. Nunca havia ido a uma festa assim, sem adultos, sem bolos e velas de aniversário. Meus amigos não davam festas. Eu não dava festas. Ninguém iria. Mas, Anne, ela dava festas, ela ia a festas, mas eu nunca a acompanhava. Quando eu estava pronta, por volta das 7pm, peguei minha bolsa -de Anne, na verdade-, e meu celular. Fiquei esperando na sala de estar. Me fitei, dos pés à cabeça. Senti uma tristeza inundar minha alma. Eu não tinha nada, apenas sentimentos acumulados dentro de mim me corroendo, eu precisava coloca-los para fora. Eu não gritei. Não chorei também, afinal levei dez longos minutos para aprontar a maquiagem dos olhos. Apenas desbloqueei meu celular e, após clicar nas notas, comecei a digitar...
''Estamos todos perdidos.
Procurando caminhos.
Procurando entender, a si mesmos.
Não tenho nada, além de palavras que, carrego no bloco de notas digital de meu celular.
Há uma praia.
Me afogo nela.
Não é feita de água.
São sentimentos.
Sou eu.''
Eu sequer pensei no que escrever, apenas digitei em metáforas bobas tudo o que sentia. Eu acabara de bloquear meu celular quando a campainha tocou. Eram elas. Lauren e Becky.
Assim que me despedi da sra. Collins e das crianças que também estavam na sala, abri a porta e sai de casa.
-Oi! -Eu disse.
-Animada?
-Talvez um pouco. -Respondi.
-Você vai gostar! -Disse Becky sorrindo.
-Pra que a identidade falsa? -Perguntei.
-SeuNome, esqueça isso. Não há nada de errado em si divertir um pouco. Relaxe. A vida é uma festa.
-Tudo bem... -Disse por fim.
Lauren era a mais velha de nós três, e por isso já dirigia. Assim que estacionou, confesso que fiquei um pouco surpresa ao ver o lugar em que a festa estava acontecendo. Não era na casa da garota, como imaginei. Era uma boate, aparentemente bem rica, aparentemente cheia. Ao ver aquelas pessoas, com roupas curtas e decotadas, me senti mal, e ao mesmo tempo agradecida, agradecida por ter juízo, por ter roupas mais compridas.
-Vai ser legal! -Disse Lauren pegando minha mão.
-É, vai sim! -Disse com uma ponta de esperança, de que ela estivesse realmente certa.
Havia um segurança, ele correu os olhos pelas nossas identidades, sequer viu a foto, sequer as observou. Não valeu o dinheiro que gastei.
Ao entrar naquele lugar, senti um forte cheiro de álcool, vi pessoas quase arrancando a roupa no meio da pista de dança, pessoas quase caindo ao andar. Isso ainda era o começo, a festa mal havia acabado de começar.
Fiquei com medo de ver o final. Hesitei dar outro passo. Eu quis ir embora.
Não fui.
Lauren e Becky pareciam conhecer todos, gostar de todos. Eu não. Escolhemos uma mesa, elas pediram bebidas, eu fui ao banheiro. Quase vomitei, de nojo, de nervoso. Mas não o fiz, apesar de sempre carregar uma escova de dente na bolsa. Lavei as mãos e retoquei meu batom, respirei fundo, voltei pra mesa. Apenas Becky estava lá.
-Cadê a Lauren?
-Encontrou um cara, sabe como é né... -Brincou Becky.
-É, sei...
-Eu não quero te deixar aqui sozinha, quer dançar?
-Eu vou ficar bem, não se preocupe.
-Tem certeza?
-Certeza. -Assenti.
E lá estava eu sozinha, pensando em nada, fitando nada, quando as duas voltaram para a mesa.
-Beba. -Disse Lauren.
-Não quero, obrigada.
-Não perguntei se quer, disse para beber.
-O que é?
-É uma batida, não é forte, juro.
-Tudo bem.
Peguei a bebida e tomei-a. Não era forte, era bem gostosa, para ser sincera. Logo me vi sozinha de novo, desta vez, sem bebida. Fui até o bar pegar outra, sequer voltei para a mesa, apenas fiquei sentada no balcão. Vi alguém se aproximar. Um garoto. Médio, pouco forte, sorriso bonito. Não vi seu rosto direito por causa da escuridão. Ele sorriu, pra mim.
-Quero o de sempre, por favor. -Disse ao garçom.
-Aqui está. -Disse o garçom entregando a bebida.
Eu fiquei olhando, me perguntando o que era aquilo. Ele percebeu. Sorriu. Veio falar comigo.
-Sem querer ser mal educado, mas o que tanto olha? -Disse sorrindo.
-Me desculpe.
-Que isso! -Ele respondeu.
-O que é o de sempre? -Perguntei curiosa.
-Experimente! -Disse me dando o copo.
-Só perguntei por curiosidade, mas mesmo assim obrigada! -Eu disse.
-É bem docinho, tem certeza que não quer?
-Mas é seu.
-Agora é seu. Vai, tome.
-Hum... É gostoso. -Disse após tomar a bebida.
-Eu te disse! -Sorriu.
-Obrigada.
-Não há de que.
Ele se sentou perto de mim, ficamos um tempo em silêncio. Ele o quebrou, ele parecia legal.
-Como você se chama?
-SeuNome, e você?
-Kyle.
-Hum...
-Você não parece se divertir, não é sua praia, né?
-Está muito na cara? -Perguntei preocupada.
-Um pouco. -Disse rindo.
-Droga. -Rolei os olhos.
-Quer dançar?
-Quero.
Kyle era legal, ele não me dava medo. Sabia que não o conhecia, e que não é aconselhável falar, dançar ou aceitar bebidas de um estranho.
Foda-se.
Peguei outra bebida. E outra. Mais uma.
[...]
Senti uma forte dor de cabeça. A luz do sol irritou meus olhos. Eu não estava em casa. Aquela era casa de Becky. As roupas que eu vestia não eram minhas. Meu estomago doía, minha cabeça doía.
O que aconteceu noite passada? Não lembrava mais de nada.
...
Continuarei semana que vem...
Xoxo,
Juulie.
Eu adorava usá-la, ela fica bem com tudo.
Eu estava bonita, e. melhor que isso, confortável. Nunca havia ido a uma festa assim, sem adultos, sem bolos e velas de aniversário. Meus amigos não davam festas. Eu não dava festas. Ninguém iria. Mas, Anne, ela dava festas, ela ia a festas, mas eu nunca a acompanhava. Quando eu estava pronta, por volta das 7pm, peguei minha bolsa -de Anne, na verdade-, e meu celular. Fiquei esperando na sala de estar. Me fitei, dos pés à cabeça. Senti uma tristeza inundar minha alma. Eu não tinha nada, apenas sentimentos acumulados dentro de mim me corroendo, eu precisava coloca-los para fora. Eu não gritei. Não chorei também, afinal levei dez longos minutos para aprontar a maquiagem dos olhos. Apenas desbloqueei meu celular e, após clicar nas notas, comecei a digitar...
''Estamos todos perdidos.
Procurando caminhos.
Procurando entender, a si mesmos.
Não tenho nada, além de palavras que, carrego no bloco de notas digital de meu celular.
Há uma praia.
Me afogo nela.
Não é feita de água.
São sentimentos.
Sou eu.''
Eu sequer pensei no que escrever, apenas digitei em metáforas bobas tudo o que sentia. Eu acabara de bloquear meu celular quando a campainha tocou. Eram elas. Lauren e Becky.
Assim que me despedi da sra. Collins e das crianças que também estavam na sala, abri a porta e sai de casa.
-Oi! -Eu disse.
-Animada?
-Talvez um pouco. -Respondi.
-Você vai gostar! -Disse Becky sorrindo.
-Pra que a identidade falsa? -Perguntei.
-SeuNome, esqueça isso. Não há nada de errado em si divertir um pouco. Relaxe. A vida é uma festa.
-Tudo bem... -Disse por fim.
Lauren era a mais velha de nós três, e por isso já dirigia. Assim que estacionou, confesso que fiquei um pouco surpresa ao ver o lugar em que a festa estava acontecendo. Não era na casa da garota, como imaginei. Era uma boate, aparentemente bem rica, aparentemente cheia. Ao ver aquelas pessoas, com roupas curtas e decotadas, me senti mal, e ao mesmo tempo agradecida, agradecida por ter juízo, por ter roupas mais compridas.
-Vai ser legal! -Disse Lauren pegando minha mão.
-É, vai sim! -Disse com uma ponta de esperança, de que ela estivesse realmente certa.
Havia um segurança, ele correu os olhos pelas nossas identidades, sequer viu a foto, sequer as observou. Não valeu o dinheiro que gastei.
Ao entrar naquele lugar, senti um forte cheiro de álcool, vi pessoas quase arrancando a roupa no meio da pista de dança, pessoas quase caindo ao andar. Isso ainda era o começo, a festa mal havia acabado de começar.
Fiquei com medo de ver o final. Hesitei dar outro passo. Eu quis ir embora.
Não fui.
Lauren e Becky pareciam conhecer todos, gostar de todos. Eu não. Escolhemos uma mesa, elas pediram bebidas, eu fui ao banheiro. Quase vomitei, de nojo, de nervoso. Mas não o fiz, apesar de sempre carregar uma escova de dente na bolsa. Lavei as mãos e retoquei meu batom, respirei fundo, voltei pra mesa. Apenas Becky estava lá.
-Cadê a Lauren?
-Encontrou um cara, sabe como é né... -Brincou Becky.
-É, sei...
-Eu não quero te deixar aqui sozinha, quer dançar?
-Eu vou ficar bem, não se preocupe.
-Tem certeza?
-Certeza. -Assenti.
E lá estava eu sozinha, pensando em nada, fitando nada, quando as duas voltaram para a mesa.
-Beba. -Disse Lauren.
-Não quero, obrigada.
-Não perguntei se quer, disse para beber.
-O que é?
-É uma batida, não é forte, juro.
-Tudo bem.
Peguei a bebida e tomei-a. Não era forte, era bem gostosa, para ser sincera. Logo me vi sozinha de novo, desta vez, sem bebida. Fui até o bar pegar outra, sequer voltei para a mesa, apenas fiquei sentada no balcão. Vi alguém se aproximar. Um garoto. Médio, pouco forte, sorriso bonito. Não vi seu rosto direito por causa da escuridão. Ele sorriu, pra mim.
-Quero o de sempre, por favor. -Disse ao garçom.
-Aqui está. -Disse o garçom entregando a bebida.
Eu fiquei olhando, me perguntando o que era aquilo. Ele percebeu. Sorriu. Veio falar comigo.
-Sem querer ser mal educado, mas o que tanto olha? -Disse sorrindo.
-Me desculpe.
-Que isso! -Ele respondeu.
-O que é o de sempre? -Perguntei curiosa.
-Experimente! -Disse me dando o copo.
-Só perguntei por curiosidade, mas mesmo assim obrigada! -Eu disse.
-É bem docinho, tem certeza que não quer?
-Mas é seu.
-Agora é seu. Vai, tome.
-Hum... É gostoso. -Disse após tomar a bebida.
-Eu te disse! -Sorriu.
-Obrigada.
-Não há de que.
Ele se sentou perto de mim, ficamos um tempo em silêncio. Ele o quebrou, ele parecia legal.
-Como você se chama?
-SeuNome, e você?
-Kyle.
-Hum...
-Você não parece se divertir, não é sua praia, né?
-Está muito na cara? -Perguntei preocupada.
-Um pouco. -Disse rindo.
-Droga. -Rolei os olhos.
-Quer dançar?
-Quero.
Kyle era legal, ele não me dava medo. Sabia que não o conhecia, e que não é aconselhável falar, dançar ou aceitar bebidas de um estranho.
Foda-se.
Peguei outra bebida. E outra. Mais uma.
[...]
Senti uma forte dor de cabeça. A luz do sol irritou meus olhos. Eu não estava em casa. Aquela era casa de Becky. As roupas que eu vestia não eram minhas. Meu estomago doía, minha cabeça doía.
O que aconteceu noite passada? Não lembrava mais de nada.
...
Continuarei semana que vem...
Xoxo,
Juulie.

Continuaaa, ta muito bom u.u
ResponderExcluirObrigada mor, vou continuar <3
ExcluirPor favor continua eu to amando XoXo Bia
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