domingo, 18 de maio de 2014

''Find Your Love'' 1° Capítulo.


-Everything change for better.


Desde pequena sempre quis fazer intercâmbio, só não sabia para onde. Decidi Los Angeles. Por que? Bem, acho que por pressão. Minha irmã sempre quis ir estudar lá, e como eu não tinha certeza de onde queria estudar, decidi aceitar a viagem. Mas agora, já não tenho certeza se é isso mesmo o que quero fazer. Pensei em Londres, Áustria, ou Irlanda, mas agora é tarde. Não posso fazer um avião mudar a rota, principalmente quando estamos à apenas trinta minutos do destino final. Estou acostumada com isso, posso ser a caçula, mas minha mãe sempre deu preferências aos pedidos de minha irmã; e meu pai, bom, sinto muita falta dele, às vezes só queria que nada disso tivesse acontecido, que meus pais ainda tivessem casados e juntos, todos morando na mesma casa, unidos. Meu pai sempre me entendeu, me ajudava e me entendia sempre que precisava, diferente da minha mãe, que sempre cobrou demais de mim e me ouviu pouco quando precisei desabafar com alguém. Os dois nos amavam, disso não tínhamos dúvidas, mas é como eu disse, nunca fomos muito unidos. Meus pais se separaram quando tinha 7 anos, e minha irmã tinha 9. Ela é dois anos mais velha que eu e entendia mais as coisas, mas eu não compreendia nada daquilo. Queria todos juntos, na minha antiga casa em São Paulo. Eu via meu pai uma vez por mês, e as vezes nem isso, já que desde que tudo mudou ele havia se mudado também, para o Rio. Eu teria ido com ele, se minha mãe tivesse permitido, mas ela insistiu tanto que a guarda de nos duas ficou com ela. Tenho certeza de que com ele seria mais feliz, não sentiria um nó na garganta todo dia, toda hora. Sou muito tímida, diferente de Anne, que sempre foi rodeada de amigos. Meus amigos, Lara, Matt e eu, sempre fomos muito unidos, e excluídos do resto da sala. Era difícil pra mim, pois eu não ia à festas como minha irmã, nunca tive um namorado, nunca havia beijado ninguém, nunca era vista por ninguém; e eu queria mudar tudo isso, mas quando tentava falar com alguém diferente não surgiam assuntos, palavras certas, nem muita coragem. Era um "oi" e então deixava quieto, pois sabia que não adiantaria nada. Meu pai sempre que vem nos visitar, fica com a gente o fim de semana inteiro, e é aí que minha alegria começa, porque pra ele -diferente de mamãe-, prefere a mim, do que a ela. Ele nunca disse, mas não precisa, pode parecer egoísmo, e é egoísmo, mas ainda sim não ligo, porque sinto que meu pai é único no mundo, que só ele pode me entender. Bem, agora não vai ser mais assim, Anne e eu vamos refazer nossa vida em Los Angeles, novos amigos, novos problemas, novos apelidos, novas dificuldades num lugar que se quer, falo bem a língua. Não sou e não pretendo ser aquele tipo de garota invisível, que veste preto e repica o cabelo para ser notada pelo pessoal da escola; nem aquela que corta os pulsos e se faz de vítima pra chamar a atenção da família. Odeio gente assim, sabe por que? Acho que todo mundo tem que encontrar o caminho da felicidade enquanto está vivo, e não é se fazendo de vítima que conseguiremos enxergar o caminho certo. Mas não é isso que importa agora, pensar nisso só faz aquele nó aumentar. Minha irmã é uma boa amiga e companheira, mas não vou viver as sombras dela, por isso preciso, eu mesma, correr atrás do que quero não importa onde. Apertamos o sinto e desligamos todos os nossos equipamentos eletrônicos, como a aeromoça havia pedido para fazermos. Escutava uma playlist qualquer, do próprio avião, quando aterrissamos. Era minha primeira vez fora do Brasil. Minha família não era rica, nem meu pai nem minha mãe, mas poupavam bastante com coisas fúteis, para podermos estar aqui. Assim que descemos do avião, passamos por um departamento especial para estrangeiros, onde a polícia federal confere todos os seus dados e documentos. Então fomos pegar as malas, que para minha sorte, a minha foi a ultima a passar pela esteira. Sou dessas que quando tudo parece dar errado, é um presságio. Sou muito pessimista. Pegamos um taxi até nossa "nova" casa, localizada à uma hora do aeroporto. Ficaríamos na casa de uma família canadense, mas eles residem aqui há mais de 30 anos. Era uma família não muito grande, viviam na casa o sr. e a sra. Carter, seus filhos, e a sra. Collins, que é a responsável pela casa e por nos duas; uma senhora de aparência calma, que beira seus setenta anos. O taxi parou em frente a uma casa, uma enorme casa, com estilo bem antigo e super bem conservada. Pagamos o taxi e Anne tocou a campainha na porta. Uma garotinha de uns seis anos foi que atendeu, pelas fotos que havia visto era a pequena Lívia, nossa "nova irmã" postiça. Ela Sorriu e gritou alguma coisa que não entendi, mas percebi que chamava sua avó para atender os estranhos que esperavam na porta. 

-Minhas queridas, vocês chegaram bem? -Disse a sra. Collins nos abraçando.

-Sim, obrigada por perguntar sra. Collins! -Disse Anne.

-Oh! Não me chamem de senhora, pra que tanta formalidade? Me chamem de vó, que é como me chamam por aqui! -Disse sorrindo.

-Tudo bem, vó...-Disse Anne.

-O gato comeu sua língua mocinha? -Disse sra. Collins divertida.

-Ah, me desculpe! Não falo muito mesmo! -Disse eu sem jeito.

-Tudo bem... Mas agora, entrem, esta frio aí fora! Vou levar vocês para conhecer minha família.

A sra. Collins nos apresentou à todos ali: o sr. e a sra. Carter, ao Cameron, e até à pequena Lívia. Cameron e Lívia eram gêmeos, ambos loirinhos dos olhos verdes. Todos ali nos receberam com muito amor, e pela primeira vez senti que tinha uma família unida, que me apoiaria quando precisasse, que tratava Anne e eu, sem nenhuma diferença, ambas com o mesmo carinho. Anne dividiria o quarto comigo, um quarto não muito grande no segundo andar da casa. Eram duas camas, um armário e uma escrivaninha. Com um tempo transformaríamos aquele quarto simples, daríamos nossa cara à ele. Mas ainda era cedo para pensar nisso, estávamos exaustas e, eu pelo menos estava morrendo de fome. Não havia comido no avião, comida de avião me da enjôo. Talvez porque está a todo tempo em movimento, mas ainda sim, isso não é um assunto interessante. Por volta das 20pm as nossas coisas estavam guardadas, e descemos para jantar. Não era o tipo de comida que somos acostumadas, mas ainda sim estava muito boa. Uma das regras citadas pela sra. Collins era dormir cedo. Não importava se você estava com sono ou não, o toque de recolher era as 22pm, e aos sábados, as 24:00pm. Regras à parte, fomos pro quarto e tomei meu banho quente, logo depois cai na cama e não demorou muito, adormeci...

...
Bem, esse é só o começo... Espero que gostem! Esse imagine vai funcionar de um jeito diferente, irei postar somente um capítulo por semana, todo fim de semana. Mas, os capítulos serão grandes! Este não está grande, por que? Porque o primeiro capítulo é quase uma sinopse, conforme a história for desenvolvendo os capítulos serão maiores.
Não pretendo fazer outras temporadas, nem estender muito a primeira. É um pouco clichê, mas vou aproveitar minhas idéias enquanto as tenho para escrever.

Com amor,
Juulie.




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