domingo, 23 de março de 2014

One Shot: Love Will Remember.

''O amor não envelhece''.

Hoje, 12 de Junho de 1774, fazem exatos 14 anos desde que meu pai me deixou, e eu, só é desamparada fui levada aos quatro anos a um convento, cresci aos cuidados das freiras, com solidão para dar e vender e frieza no olhar. Não que eu sinta ódio do mundo por me ter feito órfã, faço dezoito anos no próximo mês, e assim que completar me mandarei daqui, sem destino, mas aqui não posso mais ficar. Minha mãe morreu quando nasci, e meu pai quatro anos depois, não conheço nenhum parente próximo, nem sei de onde vim, afinal era muito nova para saber que algo além de meu nome e palavras básicas. Estava lendo a bíblia no banco da igreja quando uma das madres responsáveis por mim veio me informar que tinha visitas esperando por mim. Não me pergunte quem, mas tinha alguém esperando por mim, uma senhora no auge de seus 65 anos, com aparência rabugenta e raivosa, olhava-nos com desdém.

-Sra. Linton, está é Angelis, de quem falávamos! -Disse a madre-.
-Prazer em conhecê-la! -Me manifestei-. Mas quem é a sra? -Estendi a mão para cumprimenta-la, mas a mesma não se moveu-.
-Sou sua avó, Angelis. Vim para te tirar daqui. Por céus descobri onde estava, pensei que estivesse morando na rua, mas pelo que vejo aqui não te falta nada, se preferir ficar a deixarei de bom grado! -Disse seria-.
-Talvez tenha-lhe causado na impressão, mas Angelis é uma ótima menina, não precisa mais de nos, ela cozinha, lava, passa, serve a Deus, só o que precisa é de uma família! -Disse a madre com compaixão pela minha pessoa-.
-Sendo assim, faça as malas pois temos uma longa viagem até Londres! -Disse saindo do local que nos encontrávamos-.

Segui até o quarto onde fiz minha mala, rapidamente, já que não tenho mais que cinco vestidos de algodão e dois sapatos. A madre me mandou levar a bíblia e alguns livros comigo. Levei minhas coisas até a carruagem que nos espera, que a julgar pela aparência minha "família" não é de toda miserável, pode se dizer até, rica. Me despedi da madre e das noviças que a acompanhavam, entrei na carruagem em silencio, sentei me de frente a minha nova "avó", a quem sem ao menos conheci já sinto um desconforto seguido de medo. A viagem inteiro foi em silencio. Quando chegamos, minha vó pediu a Helena, uma das criadas que me acompanhasse até um quarto no andar de cima. O quarto era pequeno, tinha apenas uma cama e uma lareira, e na cabeceira da cama alguns livros antigos, e uma vela. Agradeci carinhosamente a criada que retribuiu-me um sorriso amigo. Ouvi meu nome ser chamado no andar de baixo, minha "vovó" me chamava para ceiar e aprender sobre as regras da casa.

-Escute, criança. Espero que a madre esteja certa e que sejas bem educada. Vai ajudar na casa, a partir de hoje, vais ajudar os criados a por a mesa, lavar a louca do jantar e cuidará do teu quarto. Não gosto de crianças petulantes, e acredite, sou bem severa com baderneiros. Agora, ceie, tem uma longa noite pela frente.

Foi o fim, jantei quieta e assim que terminei levei meu prato para cozinha, onde ajudei Helena a lavar a louca. Era cedo ainda, por volta das sete e meia quando terminamos. Sentamos num banco perto faladeira na sala, Helena tricotava e eu lia, a Sra. Linton já havia ido se deitar. Helena era boa ouvinte, boa amiga, e boa conselheira. Ouviu sobre a viagem e minha infância no convento, me alertou sobre as exigências de vovó e sobre tudo o que sabia sobre meu passado, que pelo que entendi já trabalhava para família a mais de 20 anos. Além de tudo, me contou sobre tudo o que sabia, desde a vovó, até como se cozinha, e disse-me também que, desde a morte de mamãe, a felicidade não reina naquela morada. Ouvi suspiros que imaginei ser de Helena ou de algum criado, mas não tinha ninguém a vista, então a perguntei se teria ouvido os suspiros pesados de alguém.

-Ouvi sim, menina. É de seu primo, Austin, a senhorita não o viu ainda?
-Não, pelo menos não me lembro, onde está ele?
-No quarto, bem ali! -Apontou para um cômodo de porta entre aberta-. O garota não sai muito do quarto, desde que adoeceu verão passado, aprendeu a viver de livros e água, mesmo depois de curado.
-Jura? Como consegue alguém viver sem sol, sem o frescor do amanhecer e o cheiro da neve no inverno? Não sente-se só?
-Não se queixe, nem fala sobre nada. Parece até que não tem língua. Igual a senhorita, teu primo não tem os pais, foi criado pelo avô, e logo que morreu, que Deus o tenha doce homem, Austin adoeceu. E sua avô, tornou-se mais rancorosa que antigamente. -Disse ela sussurrando-.
-Quantos anos este meu primo tem? Que houve com os pais?
-O garoto vai fazer 19 no fim do ano,  o pai morreu cedo, era alcoólatra e a mãe morreu de desgosto, isso quando o garoto tinha apenas 7 anos. Nunca lhe faltou carinho por parte do avô, mas a avó não lhe é tão carinhosa, sempre sozinho, aprendeu a ser frio e reclamão, isso quando fala...
-Se incomodaria de receber visita? Se é tão parecido comigo, quero conhecer então o que partilha a solidão que também sinto! 
-A menina pode tentar, mas cuidado para não ferir-lhe o coração se ele lhe tratar mal.

Guiei-me até o quarto do tal sujeito. Dei dois toques leves na porta mas ele nem sequer se mexeu, abri a porta devagar e caminhei lentamente até uma poltrona perto da lareira, de frente para cama. Trazia comigo um livro, afinal não podia entrar de mãos vazias. Sentei-me, e, fitando o livro em silencio esperei por mais ou menos cinco minutos, e nada dele se manifestar. Por fim, deixei o livro na beira de cama e subi para meu quarto. Quanta ousadia, onde já se viu tratar assim visitas? Ignorando? Garoto atrevido! Não, devido a sua falta de educação, não me atrevi a voltar e muito menos a gostar daquela criatura solitária, que muito me pareceu bonita, a contar que não me deixou ver seu rosto claramente. Passei a noite inteira no quarto, a maior parte do tempo lendo.
No dia seguinte levantei me cedo, Helena acordou-me por volta das cinco e meia como era costume dos moradores da casa. Me despi e vesti um novo vestido, de magas longas pois estava bem frio, desci para o café da manha e, sem vovó comemos, já que ela havia viajado bem cedo para a cidade vizinha e voltaria a noite. Austin, mais uma vez não estava conosco, o que me deixou completamente descontrolada.

-Ora! Que tem esse garoto que não pode se juntar a nos? Não é diferente, bem melhor! Mesquinho de nariz em pé! -Disse a Helena-.
-Senhorita, não fale assim de seu primo, ele tem seus motivos. A menina deveria respeita-lo mais, não achas?
-Mas Helena, ele não sequer me olhou quando estive em seu quarto! É um grande antipático!
-Oh, querida! Disse-lhe para não criar falsas expectativas! Olhe, coma bem, e esqueça isso! -Disse sorrindo e eu assenti-.

Quando terminamos, cumpri meus afazeres, limpei meu quarto e ajudei na cozinha. Estava lendo perto da lareira quando Sr. Alex, também criado, disse-me que havia selado um cavalo se quisesse cavalgar, porém, recusei, pois estava concentrada demais em meu livro. Mas, não tardou que, fosse interrompida outra vez, mas desta vez fora Helena que, pouco assustada e seria veio dizer.

-Menina, senhor Austin, deseja vê-la! 

Bastou para que ficasse calada, o que será que aquele mal educado queria comigo? Não argumentei, não tinha o que dizer, só me apressei para voltar ao quarto de meu primo. Mais uma vez, bati e nada de vozes atra da porta, entrei e calmamente me guiei até a poltrona sentando-me. E só quando sentei-me, pude sentir olhares em mim, e pela primeira vez vi seu belo rosto com meio sorriso pálido. Encarávamos um ao outro sem nenhuma palavra, por longos minutos, até ele baixar a cabeça e sussurrar algo que não entendi.

-Perdoe-me, primo. Mas não entendi o que dissestes...
-Disse-lhe obrigado, pelo livro. A tempos não leio um livro diferente!
-Mas, tens tantos livros neste quarto, já leu a todos?
-Repetidas vezes...-Disse-. Estes são poucos ainda, a Sra. Linton tirou-me vários quando meu avô morreu! -Disse frio-.
-Tenho alguns livros no quarto, não são muitos, mas sempre que quiser posso lhe emprestar um!
-Sim, obrigado... Mas, diga-me, quem és tu?  E qual teu nome?
-Sou Angelis, primo. A pouco vim de um convento longe daqui. Meus pais, teus tios, morreram quanto era bem pequena e então fui levada para um convento, onde vovó me encontrou! -disse com meio sorriso-.
-Ora! Por que sorris? Seria melhor que tivesse ficado por lá, pelo menos, não tinha que agüentar aquela velha mandona! -Disse com desdém-.
-Ora digo eu! Atreve-lhe a chamar vovó assim por que? Talvez não te trates como queira ser tratado, mas ela não faz por mal, já passou pela cabeça o quando deve ter sofrido? 
-Tu não a conheces, não a defenda! Como se atreve a falar assim comigo em meu próprio quarto? Sai já daqui, e leve seu livro! -Disse irritado-.
-Não sairei até me ouvir! Você tem seus direitos de não gostar de vovó, mas nem tudo é como você quer! Tem de respeita-la, querendo ou não, você vive as custas dela! Sei que é difícil pra você, mas também foi difícil para mim, a vida nem sempre é justa! -Disse-lhe calma-.
-Sai já daqui! -Gritou-.

Levantei me já com lágrimas nos olhos, peguei meu livro e fui até a porta onde parei e olhei para Austin, e pude ver seu semblante triste me olhar de relance, mas logo que viu que estava vendo tudo, voltou a ler seu antigo livro. Fui para o quarto e só sai na janta, quando vovó já estava de volta. Comemos em silencio, ouvi Helena sussurra para não incomoda-la pois estava bem irritada com a viagem. E assim fiz, e logo que acabamos subi para o quarto para ler um pouco. Não sabia bem a hora, mas todos dormiam, já de madrugada, a lua cheia clareava lá fora. Resolvi dever para pegar um ar, e em silencio fui até a sala, onde dava para uma ampla e fresca varanda. Mas assim que cheguei na sala não pude deixar de notar a porta aberta da varanda, fui com cautela espiar quem podia ser é para minha surpresa ele estava em pé fitando o céu.

-O que fazes aqui a está hora? -Disse calma já esquecendo o ultimo encontro-.
-Pensando. A brisa da noite é magnífica! E você? -Disse sorrindo-.
-Não tenho sono, desci apenas para tomar um ar... Mas, acho que já vou subindo, não quero incomodar seus pensamentos! -Disse saindo-.
-Espere, prima. Não vais incomodar... -Me sentei novamente-. Pensando bem, acho que te devo desculpas, sei que fui um enorme tolo contigo!
-Não se estresse com isso, já passou! -Sorri-.
-Não sabes como pode ser estressante passar dias inteiros no quarto sozinho, sinto falta dos meus pais, do meu avô. A felicidade que restava-me morreu com ele, assim como toda a compaixão da Sra. Linton. Desde a morte de vovô, ela se tornou fria como neve!
-Posso não passar tempos trancada num quarto, mas sei a solidão que sentes, não somos tavão diferentes, nesse aspecto é claro! -disse sorrindo-.
-Sim, nesse aspecto! -Riu-. Sinto muito por ter te tratado mal, e por ter te ignorado quando nos vimos na primeira vez, não é sempre que recebo visitas tão belas... -Sorriu envergonhado-. Não queres passear la fora? Acho que te devo um passeio para me redimir...
-Bem, por mim passeamos, já não aguento passar tanto tempo dentro de casa! -Ri-.

Fomos em silencio caminhar no amplo quintal, até que na beira do riacho que dividia nossa propriedade com a do vizinho, sentamos no chão e passamos a conversar melhor. 

-Dize-me, Angelis, quantos anos tens?
-Farei dezoito no próximos mês. E tu, fará 19 no fim do ano não é mesmo?
-Sim... Pelo que vejo já sabes bastante sobre mim, não estou certo?
-Helena me falou sobre você quando cheguei!
-Sim, Helena... Já ouvistes as histórias dela? Costumava contar-me umas quando criança, não há na terra melhor contadora de histórias!
-Se tu disses, pedirei-a que conte-me uma! -Disse sorrindo-.
-Sim, peças! E não esquece de chamar-me para ouvir!
-Assim farei...
-Angelis, querida, já leste o livro que me emprestou outro dia?
-Claro que já, não já livro melhor, é meu favorito! Sheakspeare não podia ter escrito algo tão fascinante feito Conto De Inverno!
-Parece-me incrível, pena que não o li até o final... -Disse com tom de vergonha-.
-Quando voltarmos te entrego meu exemplar, não se preocupes!
-Bem, obrigado!
-Acho que livros de romance são os melhores, não achas? Queria eu viver num livro, presenciar um romance tão lindo quanto Romeu e Julieta! 
-Não são meus preferidos para ler, nunca presenciei tal cena romântica como de um livro, e tu? -Disse enquanto brincava com a grama-.
-Somos dois, infelizmente! -Sorri fraco-.
-Já amaste, prima?
-Até hoje nunca amei, mas, receio que esteja mudando as idéias... Já amastes alguém?
-Nunca pensei que amaria alguém, mas como dizem, o destino nos prega peças! -Disse-me sorrindo-.
-O que quer dizer, primo? Estais como eu, apaixonado por alguém? Se sim, conte-me, prometo-lhe não contar teu segredo! -Disse sorrindo-.
-Apaixonei-me pela mais bela criatura que a pouco conheci, Angelis! Apaixonei-me por ti! -Sorriu envergonhado-.
-Oh céus! Que brincalhão o destino, também apaixonei-me por ti, Austin! 

Pude sentir minhas bochechas corarem quando seus lábios tocaram-me a face. Sorri desde então. Pela primeira vez vivi o amor, como num romance de livro...
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3 comentários:

  1. Q divoso... adorei... incrível... perfeito... se isso acontecer um dia (seria super mega divoso)... quem sabe UM DIA... ai meus deuses... kkkk... ♥♡ Naty ☆★

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  2. q lindo tipo amei adoro historias com tu, vos tipo parecendo antigas (eu definitivamente adoro isso) kra é mt perfeito tipo romatico adorei sla to sem palavras divo sem menos só mais

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